Alguns dias eu comentei sobre escolas privadas bastante eficientes na índia (a saber, indiano é bem parecido com brasileiro). A miya viu e me mostrou um certo Ricardo Semler comentar que o sistema de ensino hoje ainda é medieval.

Então uma conhecida produziu o curta documentário Novos tempos, outras diretrizes: Tecnologia na educação no qual várias pessoas fazem comentários a respeito do uso da tecnologia em escolas.

Para começar, a tecnologia sempre é empregada. No vídeo algumas pessoas falam mais ou menos como se a tecnologia tivesse surgido com o advento da plataforma PC e da Internet. Isso é um erro.

A tecnologia sempre esteve com o ser humano. Então realmente educar sem tecnologia é impossível.

E a mais moderna nem sempre é a melhor. Me coloque para estudar cálculo na frente do computador e na frente de uma caneta de pena e papel de 100 anos atrás. Com certeza vou me sair melhor usando a tecnologia old school. Agora para plotar gráficos em 3 dimensões? Me coloque na frente de um monitor, oras. Uma tecnologia só é boa quando é mais eficaz do que outra.

E como fala o Ricardo Semler (note a irônia do sobrenome) a educação hoje é medieval, parece que não houve melhorias, álias: parece que piorou.

Um grande problema foi que a educação foi sequestrada pelo Estado. Os pais dos nossos tataravós e demais antepassados decidiam o que ensiná-los de forma racional: buscando o melhor aproveitamento individual. Já hoje, os pais são forçados a colocar seus filhos em escolas controladas pelos desgovernos. Não há mais a liberdade de se ensinar em casa o que bem entender, se juntar aos vizinhos para ensinar as crianças da rua ou terceirizar a educação da criança para alguma outra entidade.

O ensino hoje é limitado a uma pequena parcela do conhecimento que a humanidade já gerou e é aplicado uniformemente a todos. Então em um país continental como Brasil ou EUA temos alunos estudando as mesmas coisas (seguindo a cartilha dos MECs), sem diferenciação.

Uma igualdade onde todos os alunos fingim estudar as mesmas coisas. E se for estudar corre o risco de se tornar menos inteligente do que se não estudar, não apenas por coisas como lavagem cerebral ideológica, mas também porque tempo é algo limitado e para estudar algo precisa-se deixar de fazer outra coisa, como estudar algo que seja mais interessante.

Vejo também que falaram que com tecnologia nas mãos os alunos estarão mais preparados quando forem para o mercado. Oras, isso é uma operação tapa-buraco em uma rua não asfaltada. O problema está justamente em a educação estar fora do mercado hoje em dia. Mesmo escolas privadas não correspondem aos interesses do mercado, são obrigadas a seguir interesses que meia dúzia de intelequituais julgaram boas e com o uso da violência do monopólio virtualmente proibiram as escolas ensinarem outras coisas senão aquelas (lembrar que tempo é limitado).

Veja os Estados Unidos. Mesmo com escolas bastante equipadas a décadas os gênios que aparecem lá, de praxe, continuam ser os vindo do exterior em busca da liberdade lá encontrada. Não nativos que contaram com a escola para merecerem tal título.

Por que do exterior? Um motivo simples: existe mais pessoas do exterior do que nativas para um certo país. E os EUA, apesar do declínio gravíssimo que sofre, ainda é (talvez não por muito tempo) um dos lugares com mais liberdade do mundo.

E dos países que essas pessoas sairam com certeza não é diferente.

Outro absurdo que vejo é falarem que a Coréia do Sul chegou aonde chegou graças à investimento pesado na educação. Isso é falso. Na realidade uma grande liberdade econômica foi o que levou desenvolvimento a ela se tornando atrativa ao desenvolvimento tecnológico.

Agora veja novamente as escolas americanas. Um brasileiro que faz intercâmbio as acha maravilhosa, mas e um estudante americano? Com certeza os EUA andam consumindo mais do que produzindo a um bom tempo. Algo só possível devido ao desconhecimento do comportamento humano e não importância em cometer violência por parte de funcionários do alto escalão de — pasme — outros Estados. Então como poderiam os americanos estarem se beneficiando da grande tecnologia que encontram nas escolas? Não estão.

O brasileiro fica encantado por ter sua cultura educacional bem diferente, mais relacionada aos velhos cadernos, livros e quadro negro.

Da mesma forma se um norte-americano vem para cá ele pode muito bem achar um máximo como nos empenhamos em explicar as coisas mais elementares direitinho, com precisão.

Colocar um computador numa escola pública = tirar um computador do mercado, encarecendo os alunos terem acesso a esse computador em casa.

Governo federal oferecer banda larga para todos = banda curta para alguns. Assim como na educação, água tratada, energia elétrica, combustível, rodovias e saneamento básico. Diferente de como nos jogos, refrigerantes, geradores, baterias, automóveis e produtos de limpeza. Acho que é o bastante dizer que não se deve confiar na qualidade de algo que demanda violência para conseguir sobreviver.


Agora vejamos a situação em que se encontrava as faculdades americanas antes do governo deformar o mercado da educação e a atual.

Como aponta Peter Schiff, economista e presidente da Euro Pacific Capital, os programas governamentais que prometem educação fazem justamente o oposto.

Vamos ver os custos da educação antes do governo interferir e agora.

Gostaria de avisar aos desavisados que a inflação nos EUA é um fenômeno recente e não existiu para os períodos abaixo aonde ela não for mencionada.

Para entender o que é inflação pode ser feita a leitura do meu artigo Imprimindo dinheiro que não existe.

Pois bem... Vou fazer uma transcrição parcial comentada do que ele falou.

Vamos ver a tuição da renomeada Yale University, de Connecticut ao longo do tempo.

Em 1810 um ano letivo custava 33 dólares.
Em 1852 continuava custando 33 dólares.
42 anos sem aumento, de pura estabilidade.
O equivalente a uma tuição de 650 dólares o ano nos dias de hoje. Mas a tuição agora é cerca de 20 vezes mais cara.

Agora vamos olhar um outro período no tempo.
De 1874 a 1918.
A tuição cresceu 14%, durante todo esse período de 44 anos.
Agora em 1918 a tuição era de 160 dólares.

Mais alta do que a tuição de 100 anos atrás, porém houve inflação durante a Guerra Civil, Primeira Guerra Mundial, pois o governo criou inflação para pagar os custos das guerras e então os preços, consequentemente, aumentaram.

Em 1918 um operário fazia 5 dólares por dia, porém não pagava imposto de renda, seguro social ou qualquer outra coisa do tipo. Então se ele fazia 5 dólares por dia, ele recebia os 5 dólares por dia.

Ou seja, um trabalhador operário precisava trabalhar 32 dias para bancar um ano letivo em Yale.

Vamos ver quanto a tuição de Yale hoje... 36,5 mil dólares por ano letivo. Houve um aumento de 50% nos últimos 10 anos.

Hoje um trabalhador operário precisa trabalhar cerca de um ano e meio para bancar o mesmo período.

Agora o que é isso? Qual a diferença? O que mudou? Peter Schiff explica isso em um vídeo sobre o custo das tuições hoje (fiz uma transcrição parcial).

De toda forma, como quase sempre, não consegui me ater a um tópico. Mas enfim...