Biker

De uns anos para cá muitas pessoas estão comprando a idéia de que bicicleta é a solução mágica para resolver os problemas de transporte da sociedade. Não pode ser. Deficientes não podem usar. Em locais quentes, fica complicado usar. Se precisa transportar algo, fica complicado. É mais sucessível à acidentes e o ciclista enfrenta problemas com o mal tempo.

Mesmo que seja uma bicicleta com vários acessórios de segurança (até mesmo airbag existe), dificilmente o usuário vai estar tão seguro quanto em um carro.

Não me entendam mal, não sou contra a bicicleta. Apenas acho que as pessoas estão enganadas ao achar que ela é a salvação do meio ambiente, da obesidade, do congestionamento e da vida social.

Em algum lugar já ouvi mais ou menos que o capitalismo é capaz de produzir mais carros mais rapidamente do que o socialismo (governo) é capaz de produzir mais estradas melhores, frase que justificava a existência dos semáforos em nosso cotidiano.

Isso é um fato. Temos carros confortáveis e seguros, mas sofremos em vias esburacadas e congestionadas.

BMW E30 burnout

A maior parte da poluição urbana é causada pelo tráfego de veículos, mas por uma minoria deles. Não é o alto tráfego que causa ela, assim como computadores não pifam por conta do grande tráfego de informação na Internet. São os veículos problemáticos que causam problemas.

Nos mares, com a proteção garantida pelos governos, a indústria de transporte marítimo poluí o meio ambiente usando sem a menor atenção para a qualidade o combustível disponível.

Aqui no Brasil apenas veículos grandes podem utilizar o Diesel. E um dos resultados dessas medidas é que estes veículos usam motores mais primitivos, menos eficientes e que poluem mais. Afinal, alguém procurando um veículo não dá a importância ao consumo do mesmo quanto daria se o combustível fosse mais caro.

Sofremos ainda com muitos carros velhos trafegando sem a menor manutenção, usando carburadores, faltando catalisadores no escapamento, etc.

São esses poucos que fazem a maior parte da poluição. Um carro desregulado pode facilmente poluir tanto quanto mil ou mais carros novos, e pior: a saída do escapamento está em um único local. E eles trafegam livremente pelas vias brasileiras e de vários outros locais do mundo.

Na aviação em muitos lugares ainda se usa o chumbo como aditivo na gasolina de aviação (um de seus combustíveis), inclusive no Brasil (que não por acaso demorou para deixar de produzir gasolina comum com ele).

Para piorar ainda aparecem com essa onda melância (verde por fora, vermelho por dentro) de biocombustível que não bastasse encarecer os alimentos, demandar terra para a produção e pegar bons profissionais que poderiam estar em outras áreas realmente produtivas, é irracional por demandar um custo operacional muito maior (precisa-se de tratores, colheitas, etc) e ter uma baixa eficiência por conta disso. E justamente devido às deformações de mercado, as pessoas infelizmente não notam isso com facilidade.

Temos também uma quantidade enorme de restrições às aviações que prejudicam todos.

Por exemplo, uma estrangeira não pode aqui no Brasil oferecer trechos nacionais. Isso significa que um vôo que vai de Recife para Atlanta fazendo escala em Fortaleza não pode vender esse trecho de Recife à Fortaleza. A consequência direta disso é clara: um aumento de custo para todo mundo que viaja, pois mais aviões precisarão estar cruzando os céus. A indireta? Um protecionista pode achar que é boa, mas protecionismo de verdade tem de viver isolado da sociedade (talvez numa caverna), o que eles não fazem, contradição que demonstra o quanto a sério eles levam o protecionismo.

Delta Air Lines Boeing 757-232 (N696DL) (1)

E infelizmente proibições ao livre comércio no transporte assim acontecem em todo o mundo.

Menor interacção e troca de experiências pela sociedade, maior consumo de combustível, mais tempo perdido, mais aviões cruzando os céus (com assentos vazios), tudo para beneficiar um pequeno grupo de interesse.

Da mesma forma, existem vários cartéis mantidos pelo Estado em suas diversas esferas (municipal, estadual, regional, nacional, etc) que impedem a concorrência ou livre mercado no transporte urbano. Novamente, por conta de grupos de interesses que parasitam à sociedade.

Se você quiser entrar no mercado de transporte urbano aqui no Brasil com certeza precisará de esperar anos ou mesmo décadas para o término de contratos de exclusividade, participar de licitações, mudar leis, precisará de ter um bom capital mínimo para fazer frente aos líderes do status quo nesse mercantilismo tupiniquim. No resto do mundo não é diferente.

E uma vez dentro terá de conviver com greves (talvez até mesmo se seu funcionário estiver recebendo mais do que qualquer outro, já que se ele for trabalhar você acabar tendo um funcionário a 7 palmos abaixo da terra por ser fura-greve e um ônibus depredado ou incendiado).

Vai ter de oferecer preços tabelados, sem oportunidade de cobrar menos, mais, de acordo com o horário, fazer pacotes ou promoções.

Não vai poder utilizar a tecnologia que bem entender. Terá a rota, frota, os locais e horários de circulação limitados e determinados por terceiros.

Não bastasse, ainda temos que conviver com o zoneamento. Coisa amada por muitos dos que vejo querendo pagar de "cientista social", quando na verdade o que eles querem ser são engenheiros sociais, definindo como a sociedade deve se comportar. Se esquecem eles de que a sociedade é composta por indivíduos que racionalizam e possuem preferências individuais.

Eles costumam muitas vezes dividir a cidade em zonas. Zona industrial, comercial, residencial, agricultural e qualquer outra mais que ele pense enquanto estiver brincando de planejador central como faz suas crianças no Sim City 2000 (a diferença é que felizmente até agora eles não descobriram como causar terremotos ou furacões um atrás do outro, pois gente estúpida assim costuma pensar que desastre gera riqueza, o que é um absurdo sem o menor sentido).

O que na prática essas zonas fazem é obrigar as pessoas a se movimentarem mais. Como? Através de proibições ou taxação elevada de terras demarcadas para um fim e usadas para outro.

Por exemplo: se eu fosse muito, muito rico e gostasse de cidade grande e fazenda poderia querer me dar ao luxo de comprar um bloco de apartamentos em Manhattan, mandar demolir tudinho e fazer dali uma fazendinha ou sítio.

Um planejador central diria que isso é um absurdo, ainda que todos os residentes daquele bloco ficassem extremamente felizes em receber uma grana enorme em troca de suas terras.

O motivo para ele dizer isso poderia ser qualquer um: desde dizer que gosta de como ali é bonito ou de que muitas pessoas gostariam de morar lá e estou tirando essa oportunidade delas. Sem necessidade de dizer, o que importa é o respeito ao indivíduo e qualquer um desses motivos poderiam ser usados para me persuadir, não para me proibir.

Mas usando o poder do Estado esse planejador central pode simplesmente me barrar disso, o que poderia acabar me fazendo comprar um helicóptero ultra-moderno com 15 assentos para ir de Manhattan à Long Island em 5 minutos com quem bem entendesse para comprar umas Coca-Colas ou ir ao cinema sozinho.

Exemplo excêntrico, mas comum de maneira assustadora de forma mais sútil. Afinal, quantas vezes não saimos de nossas casas de carro rodando quilômetros para fazermos compras em um shopping e na saída levamos tudo nas mãos até o estacionamento? Muitas vezes andamos mais dentro de um estacionamento do que andaríamos de nossas casas até uma loja daquela coisa poderia existir, se não fosse o zoneamento que coloca os preços artificialmente caros para ela se estabelecer ali.

Álias, alguém pode me explicar qual o sentido de comércio longe de consumidores? Pois acho que pelo menos 90% dos consumidores são pessoas humanas (só para deixar bem claro) e esse tipo de ser humano mora em casas ou apartamentos. Então qual o sentido dessa separação entre zona comercial e zona residencial?

Poderia continuar falando de comércio e indústria, etc, mas não vou.

O ideal é que zonas não existam. Seja tudo ordenado caoticamente, de acordo com as possibilidades, necessidades e desejos da sociedade.

Outra coisa. Veja de madrugada que há espaço para todos. As ruas estão vazias, isso significa que os automóveis não são tantos assim que precisam ficar guardados nela.

O que se precisa é de uma infra-estrutura e uso mais racional das vias.

Só através do sistema de preços é possível resolver isso eficientemente.

E quais dessas soluções podem ajudar?
Pay-per-use (pagar pelo que trafega, pelo horário em que trafega e pelo tipo do tráfego sendo realizado).
Uso mais racional dos recursos humanos (mais pessoas dormindo de dia e trabalhando à noite)
Carga e descarga a serem feita de acordo com o horário (basta cobrar um preço alto pelos horários em que esse procedimento atrapalha o restante do tráfego)

Não dá para se ter certeza absoluta e por isso mesmo o sistema de preços é importante e o único caminho.

Enquanto isso estatistas brigam por colocar airbags em todos os carros (quando muita gente pilota moto por falta de oportunidade de um veículo mais seguro), outros imploram pela estupidez [do novo problema] dos rodízios e por aí vai, enquanto sofremos com os congestionamentos e a indústria das multas. Certamente não são eles que vão resolver esses problemas.

Quem acha que um livre mercado pioraria a situação deve estar usando um computador da era da reserva de mercado na informática ou deveria estar dentro de um hospício, pois não nota que a maior parte das coisas em sua volta funcionam e só se tornaram possíveis graças ao desenvolvimento de tecnologia e a implementação pela iniciativa privada.