Por que eu mal me lembro de professores pedindo desculpas por chegar atrasado ou faltar aulas?

Para mim o problema é que muitos professores ao invés de se verem como prestadores de serviços e verem seus alunos como clientes, se enxergam como "pais fora de casa" e enxergam os alunos como crianças imaturas. Sendo esse pensamento paternalista fruto do falho mercado da educação que temos hoje, cheio de deformações, onde escolas custam os olhos da cara e ensinam pouco e mal, além de nivelar por baixo.

Já se um aluno passa alguns dias sem ir às aulas, logo ele vai correr o risco de ser chamado a atenção (talvez até por algum professor que ele nunca viu na vida), como se fosse um folgado ou irresponsável.

Existe a possibilidade de muitos desses professores assim serem bem intencionados. O raciocínio deles que é falho e deveria se adaptar à realidade.

Se você assina um serviço como o Netflix (locação de filmes via Internet) e deixa de ir em sua locadora por dois meses, mesmo tendo crédito para mais de 20 filmes nela você certamente não espera uma ligação de um funcionário dizendo:
"Pedrinho, você tem 30 créditos disponíveis aqui na BlockBuster a mais de dois anos e ainda não veio buscar. O que aconteceu? Virou inculto, foi?".

Mas se o aluno decide que o professor ensina mal e é melhor para si estudar por conta própria em casa por algum tempo (na realidade, qualquer razão é válida) é quase certo que na volta ao ambiente escolar ele vai se deparar em uma situação similar a descrita acima.

Essa situação não apenas é constrangedora e infeliz para o aluno como não é jeito algum eficiente de incentivar alguém que realmente precise de ter a auto-estima para os estudos levantada, muito pelo contrário.

Então se você é um professor próxima vez que for reclamar de um aluno não entregar um trabalho, ter faltado (ou gazeado) aulas ou qualquer coisa assim considere que o seu papel é de prover conhecimento, não de se intrometer invasivamente na vida particular dos seus alunos.

Você não se vê como um professor, mas como um educador? Não muda nada. Trate o aluno de forma respeitosa.

Uma lista de presença é objetiva demais para falar a respeito de um aluno (um sujeito, um ser de natureza subjetiva). Então não tire conclusões precipitadas. Talvez ele tenha faltado por bons motivos, motivos fora de seu controle ou qualquer outra coisa que justifique (e sempre tem).

E se ele decide faltar para algo que você vê como banal como sair com a namorada ou ir à praia, se coloque em seu devido lugar e respeite a decisão dele. Se julgar importante para o bem-estar do mesmo, alerte-o sobre quais são as implicações para as tais escolhas, ao invés de condená-lo por elas. Cada um tem direito ao controle de sua própria vida.

Você vê uma grande quantidade de alunos fazendo isso? Já considerou que o problema [também] pode ser você, o sistema educacional, qualquer outra coisa que não realmente eles ou uma combinação de tudo isso? Enfim, antes de esperar por alunos-robôs, entenda que um aluno é um ser humano distinto com objetivos individuais assim como qualquer ser humano. Ele não existe para te agradar, é apenas um consumidor do serviço que o é oferecido por você.

Um mal consumidor? Garçons se negam a vender bebidas para bêbados por um bom motivo. Adivinha qual é. Chega de paternalismo.